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Opinião - Edição 537 - Jornal NippoBrasil

Um novo futuro

William Woo*

No dia 4 de junho do ano passado, a Câmara dos Deputados deu mais uma prova de sensibilidade humanística e de tolerância às diferenças. Naquele dia, a Câmara aprovou o projeto de lei que apresentei para ampliar por 180 dias (a partir da publicação da lei) o prazo para que os estrangeiros ilegais no Brasil pudessem entrar com pedido de residência provisória, que é válido por dois anos.

Com essa mudança, nos três meses anteriores ao término do registro de residência provisória, o estrangeiro poderá requerer sua transformação em permanente, conforme regulamento a ser definido pelo governo federal. O presidente Luis Inácio Lula da Silva sancionou a proposta, acatada pela maioria da Câmara dos Deputados, e reconheceu o mérito dos argumentos apresentados por nós.

Dessa forma, o novo prazo beneficiou o imigrante que entrou no Brasil até o dia 1º de fevereiro do ano passado. O prazo anterior era 29 de junho de 1998, que limitava a mesma situação em um tratamento diferenciado. Nossa proposta foi aprovada pela Câmara em fevereiro e enviada ao Senado, onde recebeu quatro emendas, das quais duas foram aprovadas pelos deputados e duas rejeitadas.

Uma das emendas estabelecia o prazo de 180 dias para o estrangeiro irregular requerer o registro provisório. Outra emenda prevê que, após a concessão do registro provisório, o Ministério da Justiça expedirá a CEI (Carteira de Identidade de Estrangeiro) com validade de dois anos.

A verdade é que esses imigrantes já viviam no Brasil há muito tempo. Mas, por estarem irregulares, acabavam sendo explorados por outras pessoas, às vezes, da própria nacionalidade, mas em situação regular. Com a legalização, eles poderão buscar seus direitos e contribuir com a sociedade brasileira, pagando seus impostos.

Eles estão em todo o Brasil, não só em São Paulo. Não temos um número exato, mas estima-se que eles totalizem entre 50 e 150 mil. A grande maioria vem dos países da América Latina, principalmente Bolívia e Peru.

Da Europa, haveria um grande número de espanhóis. Do continente africano, são nigerianos. E provenientes da Ásia, há uma predominância de chineses. O que atrai a imigração é o País começar a ter melhores condições de vida.

Hoje o Brasil é uma liderança na América Latina. O País e o Congresso aprovaram essa lei sem nenhum voto contrário. Isso mostra que o Brasil é um país do futuro.

Outros países vêm com leis e xenofobia e insultam jogadores de futebol por sua cor, mas têm abertura para commodi-ties, para receber dólares. O que será mais importante para a humanidade: o ser humano ou os bens materiais? O futuro, com toda certeza, não reside em barreiras físicas. Não adianta o muro entre os Estados Unidos e o México ou na Faixa de Gaza. Os verdadeiros líderes vão ser aqueles com conceitos e ideais nos quais a humanidade acredita. A humanidade vai ter de aprender a viver o multiculturalismo.

Quando você tem um mercado agregador, um país que aceita as diferentes políticas, os investimentos aumentam. No centenário da imigração japonesa, no ano passado, o Japão aumentou em mais de dez vezes os investimentos no Brasil, porque o sente como uma segunda terra. O maior número de japoneses fora do Japão está no Brasil. Hoje muitas obras públicas são financiadas pelo Japão. A Suécia, que é uma grande parceira do Brasil, é a única que briga com os outros países contra as barreiras agrícolas aos produtos brasileiros e ao etanol. Isso porque o maior parque industrial da Suécia está no estado de São Paulo. A nova legislação não significa facilitar a naturalização dos estrangeiros, mas um importante instrumento para garantir que eles tenham trabalho e paguem tributos no Brasil. Enfim, uma vida digna e respeito humano.




*É Deputado Federal pelo PSDB de São Paulo
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