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Opinião - Edição 563- Jornal NippoBrasil

Previsões econômicas e as decisões
do banco central sobre juro

Alberto Furuguem*

A divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do mês de julho não foi suficiente para acalmar os ânimos em torno da decisão do Banco Central (BC) com relação à taxa básica de juro Selic (que foi elevada de 10,25% ao ano para 10,75% a.a.).

O conceituado analista Afonso Pastore, ex-presidente do BC, disse que a entidade teria “induzido” o mercado a acreditar em uma alta de 0,75 ponto, para, em seguida, decidir pela alta de 0,50 ponto.

A maioria dos analistas que errou na previsão (de alta de 0,75 ponto) afirmou que houve “inconsistência” entre o texto do “Relatório da Inflação”, divulgado pelo BC, e a ata do Copom. Muitos economistas, entretanto, apoiaram a decisão de uma alta mais moderada do juro básico, diante das tendências favoráveis mais recentes para a inflação no Brasil e menos favoráveis para a recuperação da economia mundial (mais lenta).

Empresários do setor industrial criticaram a elevação do juro básico do BC quando, ao que lhes parece, isso não seria necessário para manter a inflação sob controle. Jornalistas especularam sobre a interferência do fator político-eleitoral na decisão.

Em nossa percepção, o que ocorreu, de fato, foi a comprovação, mais uma vez, de que as previsões econômicas estão sujeitas a erros.

Quem previu a crise internacional de 2008? É claro que entre milhares de analistas alguns acertaram. Talvez por puro acaso. A maioria errou, pois depois de tantos anos (cinco) de crescimento acelerado, parecia, a muitos, que os ciclos de altas e baixas da economia eram “coisa do passado” e que não mais ocorreriam.

Até o final do primeiro semestre, no Brasil, a maioria dos analistas estava convencida do superaquecimento da demanda, capaz de comprometer seriamente o cumprimento das metas inflacionárias. Ao longo do mês de julho, no entanto, os fatos (crescimento e inflação) começaram a colocar em dúvida esse cenário.

Nos dias próximos ao da decisão do Copom, novos dados da inflação e do nível da atividade, interna e externa, sugeriam que o cenário macroeconômico poderia estar apontando para nova tendência (bem mais favorável) para a inflação.

Diante de tudo isso, hoje, vale até a pergunta: o Copom poderá interromper o processo de elevação da taxa Selic já na sua próxima reunião?

A resposta é positiva, se o cenário de desaquecimento da demanda interna e de desaceleração da inflação for confirmado daqui até a próxima reunião do comitê nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Se o desaquecimento não for tão convincente, entretanto, o Copom poderá decidir por nova alta de 0,50 ponto na taxa de juro, ou por uma elevação de apenas 0,25 ponto, a depender do cenário para a inflação.

Em suma, tudo isso mostra, como dissemos, que é realmente difícil projetar cenários futuros para a economia. Essa dificuldade não muda e não mudará o fato de que milhares de analistas, economistas, empresários e videntes continuarão a realizar previsões, simplesmente porque milhões ou bilhões de pessoas (consumidores, investidores, empresários, etc.) mundo afora continuarão interessados em ler e ouvir opiniões sobre os possíveis cenários futuros.



*Economista, consultor com mestrado
pela FGV e ex-diretor do BC
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