
Imagem de
uma mulher da época, já que não existe uma
foto da imperatriz
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(Ilustração:
Claudio Seto)
Na época
em que as opiniões se divergem sobre uma imperatriz assumir o comando
da casa imperial japonesa, talvez seja oportuno rever quais foram as imperatrizes
que governaram o Japão e qual o seu papel.
Dentre os 125
imperadores japoneses, foram apenas oito mulheres que chegaram a ser imperatrizes,
e duas governaram o Japão por duas vezes. Portanto, ao longo de
toda sua história, o Japão foi governado por dez mandatos
pelas imperatrizes.
A primeira
mulher a assumir o trono, dentre toda a linhagem da Casa Imperial Yamato,
foi a imperatriz Suiko, sobrinha do todo poderoso Soga-no-umako (551 ~
626), em novembro de 592, no Templo Toyura. Governou o país durante
36 anos, até março de 628, ano em que faleceu, aos 75 anos.
Tornou-se imperatriz sucedento o imperador Sushun, assassinado por súdito
de Soga-no-umako, a mando deste.
Príncipe
Shôtoku
Ao tomar posse,
nomeou seu sobrinho, o príncipe Shôtoku (574 ~ 622), como
seu regente. Assim, embora ela também tivesse realizado muitas
obras dignificantes, de fato, o país era governado por seu tio,
Soga-no-umako, e Shôtoku-taishi, ambos da linhagem da família
Soga. Naturalmente, a política era conduzida de modo a favorecer
a estabilidade dessa família, que governava o país com muita
habilidade, fazendo florescer a cultura búdica, que serviria de
base para o florescimento posterior da chamada Cultura Tenpyô. Muitos
dos feitos dessa época, tais como Criação do Kenpô
Jûshichi-jô (17 códigos da Constituição),
envio de delegações compostas por altos funcionários
da corte, promissores jovens funcionários e monges eruditos à
China (kenzui-shi), assim como a construção de vários
templos, entre eles o Hôryû-ji (607), considerado o mais antigo
templo de madeira do mundo, foram obras do príncipe Shôtoku.
Por
que foi preciso entronar uma mulher ?
Até
a imperatriz Suiko, durante 32 gerações, somente homens
haviam tomado posse como imperador. Provavelmente, após o assassinato
do imperador Sushun, não havia um membro masculino da linhagem
da família Soga que tivesse condição de se tornar
imperador sem criar conflitos. E também o Soga-no-umako talvez
tenha pensado no exemplo da rainha Himiko, que trouxe paz à nação
Yamatai-koku em tempos remotos.
O surgimento
da imperatriz foi um acontecimento marcante na história do Japão,
influenciando em muito na escolha do sucessor ao trono, pois, na Era Nara
(710 ~ 784), o Japão conheceu mais imperatrizes do que imperadores.
E como é do conhecimento dos historiadores, Era Nara foi um período
em que o Japão desenvolveu-se sob todos os aspectos: cultural,
político e econômico, firmando a base para a prosperidade
da família imperial, impedindo uma revoluçao sangrenta,
como ocorrida em outros países.
No século
VII, tanto na Coréia (Shiragi) como na China (Dinastia Tang) houve
imperatrizes, podendo dizer que a imperatriz Suiko foi a precursora das
demais imperatrizes que governaram os países da Ásia.
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