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Caderno  Personalidades do Japão

Ano: 1921–1999
Akio Morita

(Ilustração: Claudio Seto)

No ano de 2006, tornou-se best-seller o livro intitulado A Doença da Sony, de autoria de Akihiko Kijima e outros. O livro chega a dizer que a mundialmente renomada Sony foi ultrapassada pela Apple, derrotada pela Samsung e comeu poeira da Matsushita.

A Sony é uma empresa que se lançou no mercado mundial nos anos 50, com alta tecnologia e riqueza de idéias. A seguir, veja mais sobre um de seus fundadores: Akio Morita.

Vida e convicções

Akio Morita nasceu em Tokoname, província de Aichi, como filho mais velho de uma família dona de uma casa de fabricação de saquê que esteve em atividade por diversas gerações. Formou-se em física, na Universidade Imperial de Osaka, pelo departamento de ciências exatas. Apesar de seu perfil técnico, atuou brilhantemente na área comercial. “Uma empresa tem como objetivo ganhar dinheiro. Portanto, qualquer funcionário, seja de que área for, precisa ter conhecimento de dados contábeis”, argumentava.

Em 1943, Morita conheceu Ibuka Masaru num grupo de pesquisa para desenvolvimento de novos armamentos formado pelo exército japonês, que se encontrava em situação de desvantagem. Era 14 anos mais velho que ele, mas se rendeu ao seu extraordinário talento como tecnólogo. Em 1946, fundou, com ele, a Tokyo Tsushin Kogyo, que seria a precursora da Sony. Lançou o primeiro gravador de fabricação nacional, aparelho com sistema estereofônico, walkman, handycam, Aibo – o cão-robô de estimação de pequeno porte –, os games playstation, painel de plasma para televisores de grande porte (com a Samsung) e outros produtos de sucesso.

Homem de negócios

Akio Morita não foi simplesmente um homem de negócios hábil em vendas. Dizem que seu dom para formar fundos destinados à exorbitante despesa em pesquisas para renovação da tecnologia era também algo incomum. “Um bom produto não precisa ser barato”, dizia. É conhecido o episódio que se passou na época da bolha econômica, quando a mídia criticou o método empregado pelas empresas japonesas de arrematar prédios e imóveis históricos dos Estados Unidos, dizendo que elas teriam roubado a alma daquele país. Morita rebateu a afirmação com uma frase: “Mas os americanos não roubaram a alma [terras] dos índios?”.

A Sony construiu pelo mundo fábricas e bases de comercialização desenvolvendo seus negócios de modo globalizado. Formou a família Sony, que leva em consideração as particularidades de cada país e trabalha com autoconfiança. “Enquanto a própria pessoa não trabalhar, nada se moverá. A única coisa com que podemos contar é a própria capacidade. Primeiro, é necessário ter autoconfiança. Eu dispenso pessoas que não possuem autoconfiança. Entretanto, querer avaliar a pessoa somente, convertendo-a em valores monetários, seria por demais míope”, dizia.“Para fazer com que as pessoas tenham disposição, é necessário puxá-las para uma ‘família’ chamada empresa e tratá-las dentro dessa empresa como respeitados membros dessa família. A reunião e a união de forças de pessoas que se sentem unidas como numa família, e se dedicam ao trabalho com orgulho, traz a felicidade do elemento humano e a prosperidade da empresa. Isto implicará a contribuição com o país e com o mundo”, acreditava.

A Sony, que conta com 158,5 mil funcionários, nomeou, em 2005, Howard Stringer como presidente do Conselho Executivo Representativo cumulativamente com o cargo de CEO, no intuito de inovar a administração.

Hoje, a “Doença da Sony” é a estagnação à qual qualquer empreendimento de grande porte está sujeito pelo menos por uma vez. A maioria dos especialistas vê a fase de forma otimista, pois, enquanto a concepção de Morita continuar viva, será possível reverter o quadro.


* Esta página foi produzida pelas professoras Akiko Kurihara, Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama. Tradução: Akiko Kurihara, Clara Kazuko Sakai e Arísia Noguchi.

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Akio Morita (1921–1999)
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