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(Ilustração:
Claudio Seto | Foto: Reprodução)
Garasha é
nome de batismo de Tama ou Tamako. Terceira filha de Akechi Mitsuhide,
ela nasceu em 1563, quando seu pai servia num feudo de Echizen, atual
província de Fukui.
Quando Tama
tinha cinco ou seis anos, seu pai passou a servir ao senhor que mais tarde
viria a dominar quase todo o Japão, o temperamental Oda Nobunaga,
indo morar em Gifu. Graças à brilhante atuação
como guerreiro, Akechi recebeu de Oda o castelo de Sakamoto, em Konoe
(atual província de Shiga) e lá passou a morar com toda
a família, tendo à disposição a maravilhosa
vista para o lago Biwa, o maior do Japão.
Amada e mimada
por todos por sua graça e beleza, Tama viveu nesse castelo dos
nove aos 16 anos, quando se casou com Hosokawa Tadaoki, da mesma idade,
filho do conhecido erudito Hosokawa Yûsai. Apesar de muito feliz
em seu casamento, Tama viu, em novembro de 1578, sua irmã, casada
com o senhor feudal de Itami, Araki Murashige, rebelar-se contra Oda.
Por conta disso, sua irmã divorcia-se e é devolvida aos
seus pais. O que acabou não sendo ruim, já que, quando o
castelo de Itami caiu nas mãos de Oda, foi incendiado e destruído,
matando a todos.
Guerra
Apesar da
infelicidade de sua irmã, Tama continuava muito feliz no casamento,
tendo uma filha em 1579. No ano seguinte, quando Tama dá um hedeiro
ao clã Hosokawa, seu marido é nomeado senhor do castelo
Tanabe, em Tango, atual Quioto.
Sua felicidade,
entretanto, não dura muito. Em 1582, seu pai rebela-se contra Oda,
matando-o no Templo Honnô-ji. Contrariando os pedidos de Akechi
para ajudá-lo na batalha pelo domínio do Japão, a
família de seu marido uniu-se a Toyotomi Hideyoshi. Hosokawa, opondo-se
ao conselho de todos, que pediam o divórcio ou a morte de Tama,
mandou-a à erma península de Tango, onde ela teve outro
filho já estava grávida antes do exílio.
Após
dois anos de reclusão, Toyotomi interveio a seu favor, e ela voltou
a viver com Hosokawa no castelo de Osaka. Mesmo assim, teve de enfrentar
a dura realidade de ter de conviver com a concubina grávida de
seu marido, na época um costume muito comum.
A morte de
seu pai, a traição de seu marido e vida conturbada de constantes
batalhas entre os senhores feudais disputando o domínio do país,
fizeram com que ela recorresse ao cristianismo, talvez por influência
da sua serva cristã, Maria Kiyohara. Convertida, Tama recebe o
nome de batismo Grasha, e passa a viver sob preceitos do cristianismo
até a sua morte, apesar da oposição de seu marido.
Conversão
Em 1600, quando
acontece a famosa batalha de Sekigahara, em que sai vencedor Tokugawa
Ieyasu, Garasha é requisitada a viver no castelo de Osaka, como
refém de Ishida Mitsunari, adversário do novo shogun. Depois
de fazer várias mulheres entre elas, sua nora e a tia de
seu marido fugirem do castelo, Tama pediu a Shôsai, fiel
súdito de seu marido, que a matasse, já que o suicídio
é proibido aos cristãos.
Após
matá-la, o súdito ateou fogo no castelo e praticou harakiri.
Dessa forma um tanto trágica, terminava, ao 38 anos, a conturbada
vida de Garasha.
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