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Caderno Cultura-Tradicional

Sudoku: Passatempo japonês vira mania nacional
Grandes editoras brasileiras já possuem publicações especializadas nesse jogo
 

Diversão também ganhou sua versão digital. É possível jogar o sudoku na internet – de graça –, pelo telefone celular e em versão de bolso

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Fotos: Ricardo Hara/RH Fotografias e Divulgação)

Quem está antenado na indústria dos “passatempos”, como os famosos jogos de palavras cruzadas, já deve ter ouvido falar sobre o sudoku. O quebra-cabeça numérico que se originou na Europa, mas ganhou popularidade no Japão, na década de 80, virou uma verdadeira mania nacional, em especial neste ano. Tanto, que, nos jornais, é possível encontrar o joguinho disputando espaço com os tradicionais passatempos.

Não só jornais. Hoje, há publicações especializadas no assunto, de grandes editoras brasileiras, entre elas a Ediouro, a Conrad e a Globo.

Ao menos mais três editoras de porte menor disputam lugar nas prateleiras das bancas de jornais de todo o país, oferecendo o joguinho em quatro versões: iniciante, intermediário, difícil e os de resolução incrivelmente difícil, conhecidos por godokus. Este último é composto por números e letras. “O sudoku veio para ficar. Em pouco tempo, ele tomou muito do espaço que antes pertencia aos caça-palavras, palavras cruzadas e outros puzzles do gênero”, aposta o editor da linha de jogos da editora Conrad, Marcelo Salles.

Torneios


A estudante de Letras Patrícia já ficou em segundo lugar em um concurso de sudoku realizado em São Paulo

A editora especializada na publicação de mangás começou a apostar no gênero no final do ano passado, por conta da “febre” nos Estados Unidos e na Europa. Além das publicações específicas, a Conrad aposta nos torneios regionais, como os de Fortaleza e São Paulo, realizados no primeiro semestre deste ano. “Ainda não temos uma periodicidade para esses eventos, mas a resposta do público é muito boa. No último, contamos com a participação de cem jogadores. Não só as livrarias são palco desses torneios, mas os grandes eventos de animês e mangás também os abrigam”, finaliza o editor.

O passatempo também ganhou sua versão digital. É possível jogar sudoku na internet – de graça – no aparelho celular e até em versão de bolso. Há aqueles que garantam que o jogo ajuda a desenvolver o raciocínio rápido, fato ainda sem comprovação científica.

Por enquanto, ao que parece, o cuidado está em não deixar o passatempo virar vício. “Jogo o sudoku há quase um ano e gosto mais do que as palavras cruzadas. Jogo todos os dias, no trajeto da minha casa até o trabalho. Quando chego em casa, também jogo. Só dou um tempinho para assistir à novela”, diz a ajudante-geral Rosângela da Silva, 46. Na casa dela, os três filhos também já são são “praticantes de carteirinha”. “Meus três filhos gostam muito do sudoku. Eles tiveram curiosidade em aprender a jogar e, hoje, não desgrudam do jogo. Hoje, eles são mais hábeis do que eu no assunto. Quando disputamos, eles sempre ganham”, diverte-se.

Outros jogadores começam a disputar os torneios ainda esporádicos e com premiações modestas. Entre eles, estão os irmãos Patrícia e Roberto Moura, que ficaram em segundo lugar na categoria “fácil”, em um torneio realizado em São Paulo. “Comecei a jogar sudoku por causa da minha avó, que já gostava de palavras cruzadas. Hoje, jogo todos os dias, na volta da faculdade”, diz a estudante de letras, Patrícia, que conheceu os torneios em eventos de mangás e animês, dos quais participa há quatro anos.

 
Jogo tem raízes na China e na Europa
Foi em 2004, quando apareceu como um passatempo no
jornal britânico The Times, que o jogo virou febre no Ocidente

O Sudoku é um quebra-cabeça numérico que não se utiliza de conhecimentos matemáticos. O tabuleiro contém nove jogos com nove colunas horizontais e nove verticais, totalizando 81 casas. Basta preencher as nove lacunas da planilha, no sentido vertical e horizontal, com algarismos de 1 a 9 e não repeti-los na mesma linha, coluna ou no mesmo quadrado. O jogo é disponibilizado nas versões fácil, intermediária e difícil. As versões mais desafiadoras, conhecidas por godokus, são compostas por números e letras.

A origem do sudoku estaria ligada a uma lenda chinesa sobre os quadrados mágicos. O primeiro deles é conhecido por Lo Shu e teria surgido em manuscritos chineses, no ano de 2.800 a.C. Os documentos descreviam uma época em que as chuvas eram constantes e os rios chineses transbordavam com freqüência, prejudicando a população. Em uma dessas ocasiões, uma tartaruga gigante teria surgido no Rio Lo. Em seu casco havia pontos circulares distribuídos de maneira curiosa: uma grade de três linhas e três colunas. Essas grades passariam a ser utilizadas em cálculos que pretendiam prever a época das cheias e, com o tempo, ganhariam a denominação de “quadrados mágicos”.

A invenção do jogo é atribuída ao matemático suíço Leonhard Euler, no século XVIII. Na ocasião, ele enfrentava um problema comum: não conseguia fazer seus filhos terem interesse pelos números. A partir dessa necessidade, Euler criou o jogo, que, de início, recebeu o nome de “number place”.

A primeira publicação do sudoku data de 1970, no periódico norte-americano Dell Magazine. Na década de 80, o jogo foi rebatizado pelos japoneses e ganhou a denominação atual. Sudoku é uma abreviação da frase “suuji wa dokushin ni kagiru”, que, em português, pode ser traduzido como “os dígitos devem permanecer únicos”. Ou seja, não há espaço para a repetição dos números.

Foi em 2004, quando apareceu como um passatempo no jornal britânico The Times, que o sudoku começou a virar uma febre no Ocidente. Assim como todos os modismos, ele ganhou força e versões na internet, nos aparelhos de celulares e até em programas de televisão.

No Brasil, há até os sudokumaníacos. Além de consumir as publicações do gênero, eles trocam informações pela internet e participam de torneios de sudoku.

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