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(Por
Equipe Zashi* | Fotos: Erika Hoba)
O s
cem anos de imigração japonesa no Brasil têm proporcionado
a introdução da criatividade cultural da terra do Sol Nascente
em solo verde-amarelo. Pintura, cerâmica, artes plásticas,
literatura, arquitetura, entre outras formas de arte, vêm chamando
a atenção dos brasileiros e firmando raízes
no País. Atualmente, mais uma modalidade artística está
começando sua história no Brasil. Trata-se da arte em laca,
uma técnica tipicamente japonesa dominada pela artista plástica
Takako Nakayama, de 31 anos. Saiba mais sobre essa artista nascida na
província de Hyogo e também sobre esse trabalho na entrevista
a seguir, concedida à Nippo.
(*Colaboração:
Andreano Takahashi)
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Nippo-Brasil
- Primeiro, fale um pouco sobre a laca e sua origem.
Takako Nakayama - Em japonês, chamamos a laca de urushi. Ela
vem sendo utilizada há milhares de anos no arquipélago,
como tinta natural em louças, móveis, decorações
e instrumentos. Os produtos com laca adquirem uma aparência com
uma cobertura preta e brilhante. No Japão, eles não apenas
são considerados uma forma de cultura tradicional, como também
são vistos como objetos de luxo.
Nippo -
E como foi seu interesse pela laca?
Takako - Meu primeiro contato foi na Universidade de Artes de Osaka.
Lá, eu me apaixonei pelo caráter que a laca possui. E vi
que havia algo que combinava comigo. Aí, decidi fazer minha carreira
com esse trabalho. Depois de finalizado o curso, eu me mudei para a cidade
de Wajima, que é um dos centros japoneses de produção
de urushi, para aprender as técnicas tradicionais dessa arte. Estudei
em uma escola especializada na formação de artesãos
de urushi.
Nippo -
Como é o mundo do artesão?
Takako - Em Quioto, que já foi capital do Japão, eu
trabalhei como artesã em uma empresa de restauração
de templos. Fiz muitas restaurações em lugares como o Nishi
Honganji (um famoso templo em Quioto, transformado, em 1994, em Patrimônio
Mundial pela Unesco), por exemplo. Mas sempre enfrentei as barreiras do
mundo tradicional, que é machista e muito fechado. Mesmo assim,
não desisti de minha carreira e foi em Quioto que conheci meu marido,
um brasileiro que lá estava estudando o budismo. Isso mudou a minha
vida.
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Nippo -
E como você começou a trabalhar com a técnica do urushi
no Brasil?
Takako - Bem, eu já havia morado no Brasil dos 7 aos 14 anos
de idade, por causa de meu pai, que trabalhava aqui. Portanto, já
conhecia o País e tinha o desejo de divulgar a técnica da
laca por aqui, mas não sabia se essa substância existia ou
não no Brasil. Em 2005, vim para cá com todos os materiais
na mala para pesquisar.
Nippo -
Descreva esse processo.
Takako - Foi uma situação de estaca zero,
com poucas informações. No primeiro ano, gastei para pesquisar
o que seria a melhor técnica para a produção. Clima,
material, entre outros fatores, tudo aqui é diferente, por isso
comecei do zero. Mas o mais difícil foi procurar a laca no Brasil.
Descobri a existência de artesãos japoneses de urushi: Kozo
Imayuki e Shozo Nagata, porém, eles haviam parado seus trabalhos.
Mesmo assim, em São Paulo, vi que a possibilidade de fazer arte
com laca continuava coerente.
Nippo -
Há laca no Brasil?
Takako - A laca que eu utilizo em meus trabalhos vem diretamente do
Japão para cá. Mas eu soube que há uma plantação
de laca vietnamita no interior de São Paulo. Eu gostaria de plantar
mudas para utilização em minhas produções.
Nippo -
Quais são os seus próximos planos?
Takako - Estou realizando algumas exposições agora e
quero continuar minhas pesquisas e desenvolvendo minhas criações.
Quero também fazer colegas no meio das artes plásticas brasileiras.
No Japão, eu pensava muito nas tradições; no Brasil,
eu crio com mais liberdade e me sinto mais feliz.
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