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Zashi -
Você atuou no espetáculo Histórias de lá, do
lado de cá, que mostra as semelhanças entre contos japoneses
e brasileiros. Você conhecia os contos da peça, ou teve conhecimento
apenas por meio desse trabalho? Qual é a sua opinião sobre
os contos japoneses?
Ricardo
Oshiro - Durante o processo de ensaio e criação, todo
o elenco fez uma pesquisa sobre as lendas japonesas e indígenas,
mas, antes disso, eu só conhecia um pouco do Tanabata, por causa
do festival realizado na Liberdade. O que me ajudou muito foi pesquisar
vídeos de Mukashi Banashi na Fundação Japão
e ler o livro Histórias Preferidas das Crianças Japonesas.
Em relação às lendas indígenas, sabia muito
pouco. Chegamos a fazer uma oficina de dança Toré com um
cacique da tribo Kariri Xokó. Por vezes, as lendas japonesas podem
parecer tristes, mas elas são repletas de ensinamentos, como mostrar
para a criança que o mundo não é cor-de-rosa e que
é preciso aprender as lições da vida desde cedo.
Nesse aspecto, as lendas indígenas brasileiras são semelhantes.
Zashi -
Você já atuou em outras produções ligadas ao
Japão?
Ricardo - Com Histórias de lá, do lado de cá
é a primeira vez que atuo em uma produção ligada
ao Japão, mas quero explorar mais esse universo como ator.
Zashi -
Recentemente, a TV abriu mais espaço para os artistas nikkeis.
O fato de ter descendência japonesa atrapalha ou ajuda na hora da
seleção?
Ricardo Nos dias de hoje, é possível ver mais
orientais na mídia, mas isso ainda está longe do ideal.
Na maioria das vezes, os orientais são chamados somente em casos
específicos. Por outro lado, já tive a oportunidade de atuar
independentemente de ser nikkei. É o caso da participação
na novela Dance, Dance, Dance, da Band. Quando isso acontece, eu me sinto
muito gratificado, afinal eu estava lá porque precisavam de um
ator, e não porque precisavam de um japonês.
Zashi -
Fale sobre a sua participação no novo filme de Fernando
Meirelles, Blindness, adaptação da obra de José Saramago,
Ensaio sobre a Cegueira.
Ricardo - Fiz uma uma breve aparição. Não tinha
idéia de que seria uma grande produção, com centenas
de extras, em pleno cruzamento da Juscelino com a Faria Lima fechado só
para a filmagem!
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