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(Texto:
Helder Horikawa/NB)
O 19º
Concurso da Canção Japonesa (Brasileirão), realizado
entre os dias 16 e 18 de julho na sede da Associação Cultural
e Esportiva Nipo-Brasileira de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, consagrou
a beleza e a técnica da jovem Lílian Tangoda, de Guararapes,
eleita em fevereiro a Melhor Cantora do Interior no último Paulistão.
Campeã da categoria Juvenil, como já fizera no ano passado,
ela faturou o título do Grand Prix e entrou para a história
da Associação Brasileira da Canção Japonesa
(Abrac) como a terceira bicampeã do maior concurso de karaokê
nipônico do País. Antes dela, só a paranaense Fábia
Tanabe (91 e 98) e a paulista Tiemi Ono (97 e 99) haviam conquistado o
título duas vezes. Na disputa por equipes, Minami/SP faturou o
hexacampeonato.
A vitória
de Lílian, que ganhou R$ 2 mil como prêmio, também
deu a São Paulo a vantagem sobre o Paraná em número
de títulos gerais do Grand Prix. Até o Brasileiro de Campo
Grande, ambos registravam nove vitórias cada. Além da representante
da Noroeste no Juvenil, disputaram o Grand Prix os campeões Yutaka
Yassunaka (Veterano D-2), Norio Horimi (Veterano D-1), Akira Ikawa (Veterano
C), Hiseko Yoshiara (Veterano B), Yukiko Hamada (Veterano A), Beatriz
Minaki (Pop), Kazue Nagase (Adulto B) e Alexandre Hayafuji (Adulto A).
Este último ficou com o título de campeão do Júri
Popular e levou para casa R$ 1 mil.
O
Brasileirão reuniu, no total, 660 candidatos em 16 categorias.
Foi, literalmente, o concurso das fortes emoções. A começar
pelo discurso emocionado, na abertura, do presidente da Nipo de Campo
Grande, Paulo Kinoshita, que, quase sem palavras, fez um discurso pausado,
em meio às lágrimas. Fizemos reuniões todas
as semanas, desde que decidimos realizar o evento. Foram altos e baixos
até a véspera, quando ainda tínhamos pintores e pedreiros
trabalhando nas obras. Não sabíamos qual seria o resultado
do concurso, destacou. Nosso objetivo não foi só
fazer o Brasileirão, mas divulgar nossa cidade, nossa cultura e
nossa comunidade, completou o presidente.
Mas com a sensação
do dever cumprido, Kinoshita e toda a comissão organizadora, sob
o comando de Jorge Gonda, respiraram aliviados. Depois, vieram só
elogios. Campo Grande nos presenteou com essa grande festa de união
e confraternização. E, por ser a primeira vez que promovem
um concurso com tal envergadura, estão de parabéns,
disse o presidente da Associação Brasileira da Cançaõ
Japonesa (Abrac), Kencho Yamada.
Essa foi a
segunda vez que o maior concurso de karaokê da comunidade nipo-brasileira
foi realizado fora do eixo São Paulo-Paraná. A primeira
havia sido em 90, em Brasília, no Distrito Federal. A realização
do Brasileirão em Campo Grande pode, como já havia dito
Yamada, contribuir para o desenvolvimento da canção japonesa
no Estado. Quem também ganha com isso é o Mato Grosso. Demos
a oportunidade para que os cantores da região Centro-Oeste do Brasil
sentissem o que é um Brasileirão, o que até então
só tinham ouvido falar. Não podemos ficar confinados em
nosso mundo e tenho certeza de que isso vai atrair muitos jovens à
prática da música, afirmou o coordenador Jorge Gonda.
Os dois Estados,
pela primeira vez no Brasileirão, participaram com suas equipes
completas. Participar do concurso nos dá mais experiência
e técnica, porque você concorre com os melhores cantores
do Brasil. Acho isso muito importante, porque contribui com o nosso crescimento.
Ganhar um título ainda é um sonho distante, declarou
Flávia Maruyama, de Cuiabá (MT), pela terceira vez no Brasileiro.
Com o mesmo
discurso, Melanie Kanashiro, em seu segundo Brasileirão, só
esperava passar da primeira fase. Mas não ficou entre os dez melhores
da categoria Juvenil. No ano passado também não me
classifiquei, mas foi uma experiência válida. Sempre se aprende
alguma coisa, mesmo não estando entre os melhores, revelou.
Ela, que é de Campo Grande e teve o apoio da torcida local, só
disse que atuar em casa aumentou a responsabilidade de se apresentar bem.
Campeão
entre os veteranos na Central, Kenji Ogassawara, de São José
dos Campos, disputou o Brasileirão pela primeira vez. Mas jura
que não estremeceu quando subiu ao palco, diante de mais de mil
pessoas. Estava bem tranqüilo, apesar de saber que só
os melhores de cada região estavam lá, justificou
ele.
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