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(Texto e Ilustração:
Cláudio Seto)
Existem
no Japão muitas lendas de monges e acólitos, cujo objetivo
é exemplificar a característica de cada um dos doze signos
animais. Esta lenda é uma delas.
Há
muitos e muitos anos, um monge extremamente mesquinho e seu aprendiz moravam
em um templo da montanha. Naquela época, era comum o povo da região
levar comida e bebida ao templo para fazer oferenda ao Buda e também
para oferecer as almas de familiares falecidos. Assim que terminava o
culto noturno, as oferendas eram retiradas do altar e degustadas pelo
monge. Ao aprendiz ele não dava sequer um pedaço de doce
e comia gulosamente tudo sozinho.
O
monge costumava dizer que Buda comia pouco e vivia meditando de barriga
vazia, portanto os aprendizes deveriam fazer a dieta de arroz e chá.
Certa
ocasião, uma família de fabricantes de saquê trouxe
como oferenda um garrafão de amazake. O monge deliciou-se provando
alguns goles e disse ao aprendiz:
Isto é o amazake, um saquê (vinho de arroz) doce,
porém há um detalhe: apesar de doce, é um veneno
para as crianças. Se uma criança beber, é morte certa.
Portanto, tome cuidado para não beber por engano.
No
dia seguinte, o monge saiu para fazer culto em memória de um antigo
morador da vila no sopé da montanha. O acólito ficou tomando
conta do templo, mas, como estava sozinho, não conseguia deixar
de pensar no saquê doce.
O
monge disse que saquê doce é um veneno mortal para crianças,
mas deve ter dito isso para eu não beber. Ele quer beber tudo sozinho,
pensou.
Assim,
o aprendiz ficou muito curioso e resolveu experimentar o tal amazake.
Tirou a bebida do armário, colocou um pouquinho na taça
e provou.
Nossa como é gostosa! Preciso experimentar mais.
Assim, foi tomando gole após gole, sem conseguir parar. Logo o
garrafão estava vazio e o aprendiz de monge satisfeito e com a
barriga cheia.
Acho que exagerei. Quando o monge chegar vai me dar uma surra.
E agora o que vou fazer?
O
garoto pensou, pensou e finalmente teve uma idéia brilhante. No
templo, havia um tesouro chamado Kibi no Hotei. Era uma estatueta de Hotei,
um dos Sete Deuses da Sorte e da Fortuna, fabricado em porcelana de Imbeyaki.
O aprendiz tirou a estatueta da sala e levando ao jardim e atirou contra
uma rocha. Hotei quebrou em vários pedaços. Então,
o garoto sentou-se no corredor e aguardou a volta do monge.
Não
tardou muito, ouviu os passos do monge chegando ao templo:
Acólito, estou de volta! disse o monge na porta do templo.
Como o aprendiz não veio recebê-lo na porta, como de costume,
ele entrou. Vendo o acólito sentado no corredor e chorando, perguntando
o que tinha acontecido.
Quando o senhor saiu, eu estava limpando o salão e, sem querer,
quebrei a estatueta do deus Hotei. Fiquei desesperado por quebrar uma
relíquia deste templo e concluí que eu não era digno
de continuar vivo. Assim, para me matar, eu bebi todo amazake que o senhor
disse que matava crianças. Eu bebi, bebi, e ainda não morri.
Mas estou aqui angustiado esperando a morte chegar.
Quando
o monge ouviu a história, reconheceu que o garoto era inteligente,
astuto e muito criativo; um típico nativo do ano do Macaco. Então,
disse, conformado com sua derrota:
Fique tranqüilo, você não vai morrer, porque a estatueta
de Hotei morreu em seu lugar.
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