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Cláudio
Seto*

Há
muito, muito tempo, havia, numa pequena aldeia japonesa, um casal de velhinhos.
Como de rotina, o velhinho ia à floresta catar galhos secos para
lenha e a velhinha ia ao rio lavar roupas. Enquanto esfregava as roupas
na água, a velha senhora percebeu que um melão vinha flutuando
em sua direção.
A
velhinha apanhou o melão e, junto das roupas, levou-o para casa.
Quando seu marido voltou com as lenhas, ela disse:
Veja meu velho, encontrei um uri (melão) grande no rio. Vamos comê-lo,
que parece gostoso dizendo isso, a velhinha foi à cozinha
e apanhou uma faca para cortar o melão. Mal encostou o corte da
faca no melão, ele rachou em dois pedaços. Em seu interior,
havia uma bela criança.
O
casal ficou muito feliz, porque não tinha filhos e aceitou o fato
como um presente divino. Assim, a criança foi chamada de Uriko
(filha do melão).
O
bebê cresceu rapidamente, tornou-se uma bonita menina e, mais tarde,
uma linda moça. Era muito inteligente e tinha habilidade especial
em tecelagem. Sua beleza e habilidade ganharam fama e ela ficou muito
comentada pelas cidades vizinhas. Em reverência a sua beleza, as
pessoas a chamavam de Hime (princesa), ou de Urihime (Princesa Melão).
Então, um rico senhor feudal, ouvindo falar dela, mandou seus homens
para pedi-la em casamento.
O
homem velho e sua esposa ficaram contentes ao ouvir que sua filha se tornaria
esposa de uma pessoa tão importante.
Com
a aproximação do dia do casamento, seus pais foram fazer
compras na cidade.
Cara Urihime, nós iremos à cidade para comprar seu enxoval.
Você deve ficar em casa e não deve abrir a porta e as janelas,
mesmo que alguém a chame. Tenha cuidado, pois existe uma Yamanbá
na montanha e essa bruxa pode aparecer por aqui.
Ela
ficou sozinha na casa, trabalhando no tear. A bruxa da montanha viu os
velhinhos rumando em direção à cidade e resolveu
fazer uma visita à bela princesinha.
Urihime, você está aí dentro? Abra a porta, sou eu,
a sua avó.
Meus pais me disseram para nunca abrir a porta quando estou sozinha. Em
hipótese alguma devo abrir a porta, por isso, obedeço às
ordens e não abro a porta.
Você não precisa abrir a porta inteira, apenas uma pequena
fresta para meu dedo entrar.
Está bem vovó, só um pouquinho.
Urihime, abra um pouquinho mais, só para minha mão entrar.
Então só mais um pouquinho.
Urihime, abra mais um pouquinho, para minha cabeça entrar.
Oh, não! Meus pais vão ficar zangados.
Mas, Urihime, eu gostaria de ver seu rosto. Dizem que é a moça
mais bonita do Japão!
Está bem, vou abrir somente para sua cabeça entrar.
Assim
que a cabeça passou pela porta, foi fácil entrar na casa.
A bruxa da montanha raptou Urihime e a levou para a montanha, deixando-a
amarrada num pé de ameixeira. Voltou correndo para casa e trocou
sua roupa suja por uma bela peça do vestuário de princesa.
No
dia seguinte, os vassalos do senhor feudal que vieram buscar Urihime com
um palanquim e levaram a bruxa disfarçada para o castelo. Como
ela foi com um chapéu de véu, não era possível
ver o rosto da moça. No caminho do castelo, quando passaram perto
da ameixeira na qual Urihime estava amarrada, os corvos da montanha começaram
a gritar de modo estranho:
Não é Urihime. Urihime está na montanha. Não
é Urihime. Urihime está na montanha.
Percebendo
que havia algo de estranho, a comitiva do castelo examinou o palanquim
e descobriram toda a farsa. Urihime foi libertada e a bruxa foi parar
na cadeia. Assim, casada com o rico senhor feudal, Uriko tornou-se uma
princesa (hime) de verdade.
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