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Cláudio
Seto*
Iganosuke,
então, seguiu a viagem de olho nos passageiros. Aproveitando que
o tempo estava límpido, circulou pelo navio, mostrando-se sociável.
Num dado momento, sentou-se ao lado de um samurai jovem de aparência
refinada, que fumava com uma longa piteira de ouro. Quando Iganosuke ia
puxar conversa, outro samurai com aparência de aproximadamente 60
anos dirigiu-se ao jovem e disse:
Sou um fumante inveterado, porém perdi, em algum lugar deste navio,
minha pequena bolsa com a piteira e o tabaco. Se não for pedir
demais, solicito por um momento o empréstimo de sua piteira e a
doação de um pouco de seu tabaco.
O
jovem samurai atendeu prontamente o pedido do outro fumante e este deliciou-se,
com grande prazer a satisfação, de seu vício. Depois
de satisfeita sua vontade, o samurai mais velho bateu a piteira no casco
do navio, para esvaziar as cinzas. Para seu espanto, o porta-fumo caiu
no mar, restando somente o cabo da piteira em sua mão. Ao saber
que o gankubi (porta-fumo) era de ouro e, naturalmente, de grande valor,
o samurai ficou totalmente confuso. Não sabia o que dizer e, mesmo
que pedisse boas desculpas, aquilo não traria a piteira de volta.
O
jovem samurai ficou furioso e, ao mesmo tempo, preocupado.
O que vou fazer agora? A piteira foi um presente do senhor de nosso castelo.
Ele me deu em agradecimento por eficientes trabalhos prestados por mim.
Não se trata de um presente qualquer, e sim de um valoroso reconhecimento.
Um símbolo de honra ao mérito. Como vou dizer que simplesmente
emprestei a uma outra pessoa e esta deixou-a cair no mar?! Será
interpretado como pouco caso que fiz ao valoroso símbolo de reconhecimento
de meu senhor. Eu incorri à desonra. Foi um ato irresponsável
da minha parte emprestar para você um objeto tão precioso.
O
velho samurai ficou muito sentido ouvindo as desesperadas palavras do
jovem e disse:
O culpado de tudo fui eu e o único jeito de pagar dívida
de honra é com a morte! Sabendo do meu suicídio, seu amo
entenderá que a culpa não foi sua dizendo isso, o
samurai tirou seu braço e o ombro debaixo de sua roupa e sentou-se
ao chão do navio para praticar o suicídio.
A morte de um desconhecido nada significa para o clã ao qual pertenço.
Foi a mim que meu senhor deu a piteira de ouro e fui eu quem a perdeu
emprestando para você. Conseqüentemente, sou eu o culpado de
tudo. E sou eu quem deve fazer o seppuku!
Assim,
o samurai mais novo também sentou no chão e descobriu da
cintura para cima para fazer o harakiri...
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