
Desde novembro
de 2008, grupo vem buscando
soluções para preservar o trabalho de todos
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(Reportagem:
Redação / ipcdigital.com | Foto: Fátima Kamata /
ipcdigital.com)
Para evitar
a demissão de 25% dos funcionários, um grupo de trabalhadores
brasileiros de uma fábrica de autopeças em Hiratsuka (província
de Kanagawa) resolveu renegociar o contrato de trabalho com redução
da jornada. Passamos a ganhar menos, mas ninguém ficou na
rua, diz o líder de linha Leandro Kenji Okamoto, 29.
Desde o ano
passado, ele vinha sendo pressionado pelos diretores da fábrica
a reduzir gastos com pessoal devido à queda brusca da produção.
Na primeira negociação, em dezembro, ele propôs diminuir
os dias de trabalho até março. Na renegociação
do contrato do trimestre seguinte, acertaram o revezamento das jornadas
semanais.
Até
outubro, todos cumpriam jornada normal com até três horas
extras por dia. A situação dos trabalhadores complicou-se
no final do mês seguinte. Quando peguei a lista de produção
de novembro, fiquei pálido. Era menos de 10% do total que a gente
produzia até o mês anterior, lembra Okamoto. Então,
a fábrica pediu para escolher os nomes das pessoas que eu deveria
cortar.
No lugar das
demissões, ele propôs a redução da jornada.
Fazer um contrato específico é mais complicado, porque
você precisa administrar o horário de cada um, ver quem vai
trabalhar ou não naquele dia. Mas é melhor assim do que
mandar gente embora, conta. Além de sábado, o grupo
deixou de trabalhar nas sextas-feiras. Todo mundo aceitou a proposta,
porque tinha esperança de que a situação fosse melhorar
em março, lembra Elton Hoshihara, 28. Mas, passado o trimestre
e com a produção ainda em baixa, a diretoria deu outro ultimato.
Ficou um pouco mais complicado, conta Okamoto. Desta vez,
os contratos foram renegociados com revezamento: os trabalhadores foram
divididos em dois grupos, que, desde o início deste mês,
trabalham semana sim, semana não.
Sem
remessas
Os trabalhadores
acham que, mesmo com a situação delicada, vale a pena o
sacrifício. Para se adaptar ao orçamento ainda mais curto,
a maioria precisou eliminar gastos supérfluos e suspender remessas
que vinha realizando mensalmente para o sustento de familiares no Brasil.
Hiroyuki Takassu,
28, diz que deixou de mandar dinheiro para a mãe e procura garantir
um pouco de dinheiro para a filha de 3 anos, que está sob os cuidados
da mãe da criança, em São Paulo. Há dois meses
Alex de Souza Moraes, 23, também não envia dinheiro ao pai,
que está em Santa Isabel (Pará).
Okamoto entretanto,
ainda consegue ser otimista: Já recebemos a lista de produção
do mês de maio e, ao que tudo indica, nós voltaremos a trabalhar
no ritmo de antes [da crise do final do ano].
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