Schwartz:
abertura do mercado de trabalho no Japão será a última
instância a se recuperar |
(Reportagem:
Cinthia Yumi | Foto: Divulgação)
A situação
econômica do Japão é preocupante. A queda de quase
50% nas exportações, anunciada em fevereiro, é um
exemplo do caos no país. No entanto, a maré
de notícias ruins começa a dar sinais de trégua.
Segundo a Organização para Cooperação Econômica
e Desenvolvimento (OECD), a economia nipônica deve iniciar um processo
de recuperação a partir de 2010.
E, embora o
crescimento deva se dar de maneira tímida um dos menores
dos países do G-7 , o mercado de trabalho estará mais
aquecido, se comparado a outras grandes potências industriais. Segundo
a OECD, a taxa de desemprego no Japão deverá ser de 5,6%
em 2010, enquanto os outros países do G-7 deverão ter uma
previsão acima dos 10%.
Especialistas
ainda veem com cautela as projeções futuras. Na opinião
do economista Gilson Schwartz, a crise global irá além de
2010. O processo de destruição ainda está em
curso. Haverá setores mais ágeis, porém o cenário
macroeconômico é de retração até onde
a vista alcança, diz.
Embora
a crise permaneça, ela está sendo controlada. No caso do
Japão, há uma especificidade que o favorece e cria uma perspectiva
de recuperação: o sistema financeiro não entrou em
colapso e os bancos conseguiram se manter estáveis, acrescenta
a cientista política Janina Onuki, professora do Instituto de Relações
Internacionais da USP.
Como consequência
da incerteza do futuro econômico mundial e, em especial do Japão,
a dúvida que paira no ar é sobre a reabertura do mercado
para a mão-de-obra estrangeira. A abertura do mercado de
trabalho no Japão será a última instância a
se recuperar. Infelizmente, não me parece viável esperar
por uma retomada rápida dessa frente de geração de
empregos, alerta Schwartz.
Na opinião
de Janina, ainda que haja uma abertura do mercado, ela deverá ser
restrita, resultando numa seleção mais criteriosa por parte
dos empregadores. Cada vez mais, o mercado exigirá pessoas
com melhor formação, mais integradas à cultura japonesa,
e que tenham melhor conhecimento da língua. Se você precisa
fazer menos contratações, opta por convocar pessoas melhor
qualificadas, opina.
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