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Retorno ao Japão só depois de três anos
Governo define o prazo de carência para quem
aderir ao pacote financeiro de volta ao Brasil

Brasileiros esperam por palestra sobre o plano de retorno
 

(Reportagem: Susy Murakami/NB e Foto: Divulgação)

Mais de um mês depois de implantar o programa de retorno, o governo japonês resolveu definir o prazo de carência de quem receber a ajuda financeira de ¥ 300 mil (cerca de R$ 6,6 mil). Os beneficiados poderão voltar ao arquipélago com o visto especial de nikkei somente após março de 2012, confirmou o porta-voz do governo, Takeo Kawamura, no dia 11 de maio. “Para corrigir o mal-entendido, decidimos determinar o prazo-limite para retorno ao Japão em três anos para aqueles que usaram o auxílio”, disse Kawamura.

Durante discussão sobre orçamento na Câmara Baixa, ele adiantou, porém, que esse prazo pode ser revisto, considerando-se a recuperação da economia. Até o dia 7 de maio, em cinco semanas, as agências públicas de empregos (Hello Work) espalhadas pelo país registraram 1.328 pedidos encaminhados por sul-americanos – a maioria deles brasileiros. O pacote anunciado no final de março prevê ajuda financeira no valor de ¥ 300 mil ao titular (mais ¥ 2 mil – em torno de R$ 4,4 mil –por dependente) para a volta ao país de origem.

O plano de retorno é uma das medidas que integram o pacote de apoio do governo japonês ao trabalhador brasileiro. O programa provocou polêmica porque condicionava a ajuda à perda temporária do visto especial de nikkei por um período que o governo, na época, se recusava a divulgar: dependeria da melhoria do cenário econômico. A indefinição do prazo gerou críticas inclusive do governo brasileiro.

No dia 27 de abril, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, encaminhou uma carta de protesto contra o projeto ao Ministério do Trabalho do Japão, por meio do embaixador japonês no Brasil, Ken Shimanouchi. “Você nunca viu o Brasil ter uma atitude desse tipo, de fazer uma espécie de vinculação na necessidade; o sujeito está desempregado, então toma uma passagem, mas não poderá voltar mais”, protestou. Mas é preciso ressaltar que o programa não obriga o brasileiro a aceitar a ajuda.

Polêmica

Mesmo definido o prazo, ainda há críticas inclusive entre japoneses. “É um doce com veneno”, disse Hidenori Sakanaka, diretor do Instituto de Pesquisa de Políticas Migratórias e ex-diretor da Imigração de Tóquio. “Impor um prazo de três anos para o retorno dos nikkeis é inconstitucional, porque o programa anula um tipo de visto. O programa deveria excluir essa condição. O anúncio do prazo feito pelo governo não é um avanço.”

Segundo Sakanaka, se a Imigração impedir a reentrada antes do prazo dos beneficiados pela ajuda, eles poderão adquirir esse direito em juízo. “Os requisitos de um programa de retorno não podem ignorar a lei de Imigração”, disse.

Na semana passada, a ministra encarregada da política de apoio aos imigrantes, Yuko Obuchi, defendeu o programa de retorno com incentivos e assegurou que não quer fomentar o retorno dos nikkeis. “Queremos que todos compreendam que o governo não tem nenhuma intenção de forçar a volta dessas pessoas. Nosso objetivo não é esse”, argumentou a ministra em entrevista ao International Press.

 
Saiba mais

Segundo a Imigração de Tóquio, as pessoas que aceitarem a ajuda do governo central e se interessarem em retornar ao Japão para trabalhar após o prazo de suspensão de três anos precisarão entrar com novo pedido de visto. Mesmo quem tem visto permanente precisará fazer nova soliticação. A princípio, o Ministério da Justiça deverá usar os mesmos critérios na hora de conceder o visto especial.

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