Carlos
Fernandes matriculou-se em curso particular de capacitação
profissional |
Tiago
ingressou no curso de solda após muita insistência |
(Reportageme
Fotos :Alexander Kanashiro/ipcdigital.com)
Morador de
Okazaki (província de Aichi), Teodomiro Hirayama, 59, comemora
a aprovação do filho, Tiago, 23, para participar de um curso
de solda oferecido por um centro de treinamento em parceria com a Hello
Work (agência pública de empregos). O caminho para essa conquista
não foi fácil, de acordo com ele, principalmente devido
às dificuldades impostas pela agência de emprego. Foi
preciso muita insistência, uma verdadeira batalha, conta.
Depois de ir
até a instituição e voltar para casa sem nenhuma
informação a respeito do curso, Teodomiro decidiu conversar
com japoneses que frequentavam o local. Numa dessas conversas, soube que
haveria uma seleção para curso gratuito de solda que pagaria
auxílio-transporte e outros benefícios. Após insistir
e discutir muito com a atendente, Teodomiro conseguiu o panfleto informativo.
Tiago participou
da seleção composta por teste de matemática, exame
psicotécnico e redação em japonês que teve
um total de 50 inscritos, sendo 48 japoneses, e foi um dos 30 selecionados.
É uma vitória e uma luta muito grande, porque nem
soubemos disso pela Hello Work, mas pela boca de terceiros, desabafa.
Ao ver o filho
aprovado, Teodomiro e um amigo foram visitar o centro de treinamento e
conversaram com o instrutor. Ele me assegurou que não era
necessário ser fluente no idioma japonês por se tratar de
um curso prático, mas é preciso entender as noções
de perigo, porque se trabalha com com gás, eletricidade e todo
tipo de metal, como cobre e bronze, afirma Tiago.
Casos
corriqueiros
Em Nagoia
(província de Aichi), o caso de Carlos Roberto Fernandes, 49, é
semelhante ao de Tiago; entretanto, seu desfecho foi diferente. Desempregado
há três meses, Fernandes tem aproveitado o tempo em que recebe
o seguro-desemprego para estudar japonês e participar de cursos
técnicos. Contudo, de acorcdo com ele, a Hello Work não
facilita o acesso de brasileiros aos cursos de capacitação.
Ele tentou
se inscrever no curso de empilhadeira oferecido pela instituição,
porém não conseguiu se matricular devido aos requisitos
exigidos. Eu me interessei e fui lá. A atendente perguntou
se eu sabia japonês. Pedi o panfleto, ela o jogou na mesa e se retirou
sem me dizer nada, explica Carlos, que acabou optando por fazer
o curso particular. Caso conseguisse a vaga oferecida pela Hello Work,
ele gastaria ¥ 23 mil (cerca de R$ 460) a menos.
Há 19
anos no arquipélago, Fernandes decidiu, em 2008, que iria fixar
residência no Japão e, para isso, comprou um apartamento
e colocou a filha para estudar em escola japonesa. Eu até
entendo a preocupação deles em proteger os nativos. No entanto,
nem todos os brasileiros estão temporariamente aqui no Japão.
Bugo Goto,
responsável pelo Centro de Assistência de Empregos para Estrangeiros
em Nagoia, afiliado a Hello Work, afirma que os cursos profissionalizantes
oferecidos são todos em japonês e, por isso, os candidatos
devem prestar um exame de avaliação, para verificar ao nível
de entendimento do idioma, uma vez que as aulas abordam questões
de segurança. Ele informa que existem cursos de capacitação
laboral oferecidos exclusivamente para estrangeiros, dos quais os japoneses
não podem participar.
Teodomiro discorda
da Hello Work. Meu filho não sabia falar muito bem o japonês,
mas conseguiu ingressar no curso. Já que não facilitam,
precisamos insistir até que cedam.
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