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Viviane
e o marido Jéferson usaram o benefício para investir
em uma barraca de caldo de cana e água de coco
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Flávia ficou 20 anos no Japão e quer criar seus filhos
no Brasil
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(Reportagem:
Edgard Matsuki, especial para o NippoBrasil)
Para os brasileiros
que aceitaram a ajuda dada pelo governo japonês (kikoku shien) para
retornar ao País, os 300 mil ienes (R$ 6.109,50) do pagamento estão
sendo importantes para recomeçar a vida na terra natal. Sem a perspectiva
de trabalhar no Japão nos próximos três anos, os ex-dekasseguis
que receberam o benefício pensam em ficar definitivamente no Brasil.
Quando o governo
japonês anunciou o programa de ajuda, Viviane Chinem já estava
há seis meses desempregada e sem perspectiva de trabalho. Meu
marido até arranjou emprego, mas não há como sustentar
uma família apenas com um salário e sem hora extra,
diz Viviane. Ela, o marido Jéferson e a filha Jenyfer decidiram
se inscrever no kikoku shien para retornarem ao Brasil em julho do ano
passado.
Parte do dinheiro
da ajuda eles usaram para comprar a passagem de volta, e a outra, recebida
um mês depois de terem chegado no País, o casal usou para
montar uma barraca de caldo de cana e água de coco em São
José dos Campos, interior de São Paulo. Ainda não
temos muito lucro. Mas todo empreendimento no início é difícil
e a barraca é um negócio rentável para quem investe,
afirma Viviane. Apesar de gostar da vida no Japão, ela diz que
pretende ficar no Brasil mesmo após terminar o prazo de três
anos.
Eiko Watanabe
voltou em dezembro do Japão, menos de um mês depois de ficar
desempregada. No Brasil, começou a trabalhar em uma empresa de
decoração de festas. Não é verdade que
não há emprego no País, e eu sou a prova. Só
é preciso ter força de vontade e perseverança,
diz Eiko, que não pensa mais em voltar a trabalhar no Japão.
É preciso ter firmeza para voltar para casa e não
se arrepender, afirma ela, que recebeu o restante do benefício
em janeiro.
Viviane e Eiko
reconhecem que o dinheiro do governo japonês foi bem-vindo, mas
sabem que se acostumar à nova realidade do Brasil será um
grande desafio. Chegamos no País na época do Natal
e como nossa situação financeira estava difícil tivemos
de poupar. Trocamos a ceia por um curso de segurança para meu marido,
conta Eiko.
À
espera do benefício
Situação
um pouco mais complicada vive Flávia Yamada e seus três filhos,
que chegaram ao Brasil no dia 14 de fevereiro. Ela morava há 18
anos no Japão e estava sem trabalhar há um ano e três
meses. Como ainda não recebeu o kikoku shien, está morando
na casa de uma amiga em Araçatuba, São Paulo. Flávia
aguarda ansiosa o pagamento do benefício e já sabe o que
fazer com o dinheiro: vai dar entrada em uma casa própria.
Ela também
não pretende voltar para o Japão. Quero criar meus
filhos aqui, afirma Flávia e diz não ter medo do que
vai enfrentar daqui para frente. O problema de muitos é que
vêm para cá com a cabeça lá. Sei que eu tenho
de me readaptar ao meu país porque foram quase 20 anos no exterior,
reconhece. Seus planos incluem apenas levar uma vida normal em sua terra
natal. Tem muitos brasileiros que estão comendo só
arroz e feijão no Japão. Por que não viver assim
aqui?, indaga ela.
Flávia
deve receber a outra parcela da ajuda em um ou dois meses. Mas não
está preocupada, pois sabia que o restante poderia demorar. Enquanto
isso, além de apertar o orçamento, ela se mantém
com o dinheiro da devolução da luva do aluguel do apartamento.
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