
Órgão
quer promover uma vida mais estável para os trabalhadores
nikkeis, mas, ao mesmo tempo, exigiria o cumprimento de suas obrigações
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(Reportagem:
Marcello Sudoh/IPC Foto:
Kyodo News)
O Departamento
de Imigração do Japão está propondo ao governo
nipônico fiscalizar o envio de trabalhadores nikkeis descendentes
de japoneses ao país e a cobrança ilegal de dinheiro
sobre a contratação desses imigrantes. A proposta faz parte
do novo Plano Básico para o Controle de Imigração,
que vai definir as regras para os estrangeiros que querem entrar ou permanecer
no Japão.
O documento,
que reconhece o papel dos estrangeiros na revitalização
da economia japonesa, foi entregue ao Ministério da Justiça
em março. Segundo o plano, o governo japonês deve adotar
medidas contra os intermediadores de mão de obra, como, por exemplo,
o uso de suas embaixadas e consulados no exterior para pressionar governos
a checarem empresas que enviam trabalhadores para o Japão. A proposta
reforça ainda a necessidade de fiscalizar práticas como
o recebimento de dinheiro desses trabalhadores por meio de taxas e pagamentos
que não estão previstos na lei japonesa.
Para o Departamento
de Imigração, que faz parte do Ministério da Justiça,
o governo precisa rever os critérios de entrada dos nikkeis no
país. Uma sugestão é passar a verificar se as crianças
estão recebendo estudo adequado na renovação do visto.
Esse primeiro
documento não especifíca que mudanças ocorrerão
nem menciona a obrigação de dominar a língua japonesa
para trabalhar no arquipélago. O texto deixa claro que o Japão
precisa manter o tratamento especial dado aos descendentes de japoneses,
que têm trabalhado no setor industrial e, assim, colaborado para
o desenvolvimento da economia japonesa.
Apesar de reconhecer
o valor dos nikkeis e as tentativas de integração deles
à sociedade japonesa, o órgão governamental lamenta
os conflitos provocados pelas diferenças culturais e de língua.
No entanto, a afirmação não aponta culpados e tenta
mostrar o problema como parte natural das relações entre
povos diferentes.
A Imigração
japonesa reconhece que os conflitos teriam se acirrado mais no segundo
semestre de 2008, com a crise, e aponta a perda dos empregos nas empreiteiras
e pessoas físicas que interme-deiam ilegalmente a colocação
de mão de obra como agravantes da situação de moradia
e de educação das crianças.
Segundo o Departamento
de Imigração, o Ministério da Justiça já
teria entrado em contato com outros ministérios para discutir as
condições de trabalho e os problemas educacionais, a fim
de promover uma vida mais estável aos nikkeis e amenizar seus problemas.
Assim, segundo o documento, os imigrantes estariam aptos a cumprir com
suas obrigações também.
As crianças
nikkeis ocupam citação especial no documento. A Imigração
propõem ao governo que, no mínimo, garanta o estudo básico
a elas. Para isso, na renovação do visto daquelas que não
estão estudando, serão adotadas medidas para garantir a
volta à escola. O documento reafirma a tese de que é preciso
promover a entrada de estrangeiros e a proteção aos refugiados,
já que a população japonesa está em declínio.
No entanto, é necessário impedir a chegada ao país
de terroristas, imigrantes ilegais e deter a falsificação
de vistos.
O Japão
deve adotar o sistema de pontuação para estrangeiros
com exceção dos nikkeis com qualificação
ou competência técnica que possam contribuir com as empresas
japonesas. Por outro lado, os contratados em seus países de origem
precisarão apresentar menos documentos.
O novo Plano
Básico para o Controle de Imigração será avaliado
pelo Ministério da Justiça e, de lá, segue ao gabinete
do primeiro-ministro. Se aprovado, será enviado para votação
no Parlamento. Não há previsão para a adoção
do plano.
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