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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Remexendo
no velho baú de madeira, encontrei antigas fotos amareladas tiradas
nos anos 30. São fotos familiares, dos meus avôs, meus pais,
tios, desbravando as matas do pequeno sítio de 10 alqueires comprado
após anos de trabalho pesado numa fazenda de café no interior
de São Paulo. Imigraram ao Brasil em 1926, com a promessa de trabalhar
durante, no máximo, três anos, e voltar ricos para a sua
terra natal: Japão. Todavia, após seis anos, o que sobrou
foi uma pequena quantia que apenas deu para dar de entrada naquele sítio
de mata virgem.
O único
consolo era de que estavam na terra deles. A foto da vovó revelava
o seu descontentamento, pois só viera ao Brasil por entender que
voltaria à terra das cerejeiras. Lembro da vovó, sempre
reclamando, saudosa de parentes que deixou no Japão.
Naquela época,
no Japão, havia muita miséria. Desde os fins do xogunato
Tokugawa, passando o poder para o imperador Meiji, em seguida a Era Taishô
e o início da Era Showa, o povo nipônico atravessava sérias
crises, principalmente a falta de alimentos.
Eu nasci em
1945, no mesmo ano em que o Japão declarava rendição
incondicional. O imperador Hirohito descia do seu trono divino para se
tornar um simples mortal. Porém, o Japão, vitorioso em muitas
guerras, soube, com brio, encarar a derrota e reconstruir o país.
Hoje, passados mais de 80 anos, o Japão é uma potência
econômica. Os seus descendentes brasileiros fazem o caminho inverso
de seus ancestrais, porque o Japão oferece melhores condições
de trabalho.
Vi meus avôs,
pais e tios embarcarem para o andar de cima. Todos enterraram seus ossos
aqui e deixaram o seu nome escrito nas terras brasileiras. Nestes cem
anos da imigração japonesa, a contribuição
nipônica para o progresso do Brasil é incontestável.
Seja no norte, nordeste, oeste, centro-oeste, sul, sudeste, nas mais longínquas
paragens, existe o dedo do japonês que indicou a melhor técnica
para o cultivo da terra.
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